Mangá gay ‘Otouto no Otto’ vai ganhar série live-action

Otouto no Otto é um mangá diferente mesmo no Japão. Embora o país não seja conhecido por ser homofóbico, isso não quer dizer que está tudo bem ser gay lá

A NHK, uma emissora de TV do Japão, revelou que está produzindo uma minissérie live-action do mangá Otouto no Otto / My Brother’s Husband. A série, baseada no mangá gay, será composta por três episódios e vai ser exibida de 4 a 18 de março.

Otouto no Otto
Otouto no Otto

O protagonista Yaichi é interpretado pelo ator Ryota Sato (Maes Hughes, de Fullmetal Alchemist) e o Mike, um canadense que era o marido do irmão gêmeo de Yaichi, é interpretado por um ex-lutador de sumô de 33 anos da Estônia.

Os protagonistas escolhidos para o live-action do mangá
Os protagonistas escolhidos para o live-action do mangá

O mangá foi serializado na Monthly Action de 2014 a 2017 e compilado em quatro volumes. Ganhou o Prêmio de Excelência na categoria mangá no 19º Festival de Artes de Média do Japão em 2015.

No site oficial podemos ler:

“Yaichi é um pai que vive em um subúrbio em Tóquio e vive sozinho com a sua filha Kana. Suas vidas mudam repentinamente com a chegada do afável canadense Mike Flanagan, que se declara o viúvo. Mike está numa missão para explorar o passado de seu falecido marido e a família relutantemente o acolhe. A trama é um olhar sem precedentes e doloroso sobre o estado de uma cultura gay japonesa, em grande parte ainda fechada: como foi afetada pelo Ocidente e como a próxima geração pode mudar os preconceitos sobre isso e preconceitos contra ela.”

Otouto no Otto
Otouto no Otto

Mais do que um mangá

Otouto no Otto é um mangá diferente mesmo no Japão. Embora o país não seja conhecido por ser homofóbico, isso não quer dizer nem um pouco que apoie a comunidade LGBT. Os japoneses dificilmente conversam sobre assuntos íntimos e pessoais um com os outros. Você pode notar isso em qualquer mangá, como é feito todo um drama em cima de coisas banais do ponto de vista brasileiro. E é por esse motivo também que não se fala abertamente sobre sexualidade ou, no caso, homossexualidade. Eles simplesmente preferem evitar tocar no assunto.

Numa situação como essa os quadrinhos e livros acabam virando um santuário, aqui é possível conversar sobre essas coisas através da palavra escrita um com os outros na privacidade da sua casa. E isso é tão forte que estudiosos classificam coisas como “Boys Love” como um tipo de fenômeno lésbico, já que se tratam de em sua maioria mulheres que escrevem erotismo uma para as outras.

Mas mesmo no quadrinho esses gêneros são reduzidos a nichos e coisas a serem escondidas. Basta ler qualquer história de fujoshis e você vai ver como existe a preocupação de “parecer normal”, “o que vão pensar de mim?”, até de ler os mangás debaixo do lençol. Curiosamente acaba sendo mais fácil justificar as fantasias exageradas ou mascaradas como os BL do que a literatura gay em si.

Visto toda essa situação, 「Otouto no Otto」 é inédito e extremamente polêmico. Aqui está um autor abertamente gay, autor de pornografia gay, escrevendo sobre ser gay e como a comunidade japonesa trata eles. Mais impressionante ainda, a obra consegue ser universal e trabalhar os principais pensamentos preconceituosos que constantemente são considerados aceitáveis, como se “tolerar” fosse uma postura digna, e ainda educar o público japonês de forma gentil.

Com informações do Cinema Interativo e Biblioteca Brasileira de Mangás

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  • Marcos Babu

    Só faltou o mais importante: O nome do autor do mangá, Gengoroh Tagame.Tanto foi dito sobre o Japão, cultura japonesa, temas LGBT e sua correlação, que eu me pergunto se essa omissão tenha sido proposital.