Perfil de quem vive com o vírus da aids mudou nas últimas décadas

Se em 1980 o HIV era sinônimo de AIDS, hoje é possível ter uma vida praticamente normal, desde que haja tratamento. Dia 1º de dezembro: conscientize

Se em 1980 o HIV era sinônimo de AIDS, hoje é possível ter uma vida praticamente normal, desde que haja tratamento.

aids
– O cartunista Henfil, aos 43 anos, em 1988
– O ator Lauro Corona, aos 32 anos, em 1989
– O cantor e compositor Cazuza, também aos 32 anos, em 1990
– O vocalista do Queen, Freddie Mercury, aos 45 anos, em 1991
– O estilista Conrado Segreto, aos 32 anos, em 1992
– A atriz Cláudia Magno, aos 34 anos, em 1994
– O ator Wagner Bello, aos 34 anos, em 1994
– O cantor e compositor Renato Russo, aos 36 anos, em 1996
– O escritor Caio Fernando Abreu, aos 47 anos, em 1996
– O sociológo Herbert de Souza, o Betinho, aos 61 anos, em 1997
– O ator, bailarino e coreógrafo Thales Pan Chacon, aos 41 anos, em 1997
– O filho do ex-presidente Nelson Mandela, Makgatho Mandela, aos 54 anos, em 2005

“Uma doença misteriosa que era totalmente desconhecida há dois anos, segundo as autoridades médicas americanas, transformou-se nos últimos meses na epidemia mais violenta do século”.

Início dos anos 1980. Uma das primeiras reportagens em rede nacional sobre o HIV que, até então, era pouco conhecido. O que os pesquisadores sabiam, até ali, era que o vírus resultaria numa doença misteriosa e fatal.

“A síndrome, ou aids, é uma das doenças mais traiçoeiras que já surgiram até hoje”.

No Brasil, o primeiro caso de aids foi confirmado em 1982. Cinco anos depois, o país viu um ídolo da música assumir publicamente que tinha o vírus.

“Senhoras e senhores
Trago boas novas
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva – viva!”

Foram poucos anos de luta. Sem vislumbrar um tratamento adequado, os pais de Cazuza decidiram levá-lo para os Estados Unidos. Mas lá a doença também era pouco conhecida e as pesquisas ainda eram recentes. E, pouco a pouco, Lucinha Araújo viu o filho com o aspecto físico completamente diferente.

“Bonito, saudável, inteligente, fazendo sucesso, no auge da carreira e de repente ser abatido por uma doença dessas e no final sucumbir. Para nós foi uma coisa terrível. No princípio ele estava se tratando, mas ele foi ficando enfraquecido e o último ano foi muito ruim. Ele não andava mais, estava de cadeira de rodas. Mas ele era uma pessoa diferente das outras. Uma pessoa com espírito elevado. Então ele enfrentou tudo com uma bravura que nos deu força, pra mim e para o pai dele”, relata.

Em 1990, o artista sucumbiu à aids:

“O Brasil perde um dos maiores talentos da nova geração da musica brasileira. O cantor e compositor Cazuza morreu hoje no Rio de Janeiro, depois de cinco anos de luta contra a aids”.

No fim dos anos 1990, as mortes no Brasil caíram pela metade em decorrência do uso do coquetel anti-aids. E, passados mais de 30 anos dos primeiros casos da doença, as pesquisas avançaram e o perfil das pessoas infectadas mudou. Hoje, o HIV não é sinônimo de morte. A esperada cura ainda não chegou, mas quem vive com o vírus tem uma vida praticamente igual à de qualquer outra pessoa. Para se ter uma ideia, no Brasil cerca de 90% das pessoas em tratamento apresentam carga viral indetectável, que é quando a quantidade de HIV circulando no sangue é tão baixa que o vírus deixa de ser transmitido. Mas, pra isso, o infectologista e professor da faculdade de medicina da USP Esper Kallás ressalta a importância de seguir o tratamento à risca.

“A qualidade de vida que essas pessoas acabam usufruindo hoje em dia é muito superior, desde que faça o diagnóstico precoce, não deixe aparecer sintomas relacionados à infecção pelo HIV, a gente consegue oferecer um tratamento muito bom: todo ele oferecido pelo governo brasileiro gratuitamente. E o uso crônico dessa medicação consegue controlar a multiplicação do vírus e preservar o sistema de defesa das pessoas. Conseguem ter uma vida normal”, explica.

O ator Gabriel Colmicholi soube do diagnóstico há quase dois anos e decidiu expor a condição de forma autêntica e livre de estigmas. Hoje, aos 22 anos, ele vive com carga viral indetectável. E foi nas redes sociais que o ator encontrou um jeito de levar informações a outras pessoas, principalmente jovens.

“O Gabizinho tem HIV
Eu falei de novo pra você entender que
Hoje tudo pode acontecer
Use a camisinha pra se proteger
Use a camisinhaaaa!
A camisinha ah ah ah ah!”

Gabriel encontrou uma forma de tirar o peso do ombro na produção de conteúdo. E, mesmo num contexto mais estigmatizado, há 30 anos Cazuza tomava uma decisão semelhante.

“Ele partia da seguinte premissa: ‘mãe, uma pessoa que canta ‘Brasil mostra a sua cara’ não pode esconder a sua num momento desse”, disse Lucinha.

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Por Denise Ribeiro para CBN

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