Repórteres passam a tarde em um swing paulistano e contam a experiência

A Sessão da Tarde é coisa do passado. A moda entre os clubes de swing de São Paulo é a troca de casais no horário vespertino

A ideia faz sentido para quem precisa disfarçar o hobby no meio do expediente. E a quantidade de pessoas que curte swing não é pequena, o Datafolha apontou, em 2010, que 5% da população brasileira já fantasiou com a prática, e 2% chegou aos finalmentes. Mas quem é que vai nesse rolê? Curiosos, Felipe e Clara – dois repórteres da Elástica – colaram em um clube especializado de Moema, em São Paulo, se passando por um casal. Por incrível que pareça, eles voltaram de lá um pouco entediados.

Foto: MidiaNews

16 horas

Felipe: A entrada do local era, antes de mais nada, estranha. Para não chamar a atenção, os carros entravam pela garagem de uma casa vizinha ao clube. Ao passar pelo portão, percebe-se que não existe vaga para um carro, e sim um túnel, que leva diretamente ao estacionamento do swing. Não que isso realmente engane alguém – afinal, a vizinhança deve achar um pouco estranho 30 carros caberem em uma entrada que aparenta ter espaço para um.

Fomos recebidos por uma comitiva de seguranças. Um deles tentou abrir a porta enquanto pagávamos o táxi. Na verdade, quem pagou foi a Clara, e tenho quase certeza de que olhares me julgaram por conta disso.

Clara: Pedimos para fazer um tour pelo local já que o site da casa anunciava o serviço como incluso na entrada. Sabe como é, novatos precisam se ambientar e sacar todas as possibilidades antes de partir para a libertinagem.

Felipe: A recepcionista nos deu a comanda – uma só para os dois – sem pedir RG ou coisa do tipo. O que é incrível, já que eu tenho que apresentar documento até quando compro cerveja no supermercado. Talvez seja porque eu estava de camisa social.

Eu nunca uso social.

Odeio social.

Ela designou um segurança para nos acompanhar.  O cara aparentava ter pelo menos um metro e noventa, careca e com a voz grossa, lembrei que era melhor não arranjar problemas por ali. “Vocês foram os primeiros a chegar”, falou com um tom quase carinhoso.

A arquitetura do lugar era relativamente simples. Um salão principal tinha uma pista de dança com três mastros de pole dance no centro. Ao redor dela, um bar, algumas dúzias de mesas e espelhos nas paredes compunham o ambiente. “Aqui é onde os casais tomam alguma coisa, conversam…”, afirmou Ronaldo*, o segurança. “Também rola um show de strip”, completou enquanto dava uma olhadinha entusiasmada para mim. Fui pego de surpreso e tentei fazer a mesma cara, mas tenho quase certeza que fiquei parecendo uma criança que dá risada sem entender a piada.

Clara: Depois fomos guiados por um corredor cheio de salas pequenas com sofás acoplados – o qual vou chamar de corredor do sexo. “Aqui entra quem tiver a fim de transar”, avisou Ronaldo. Mais curioso que o tamanho limitado das cabines para sexo, eram as telas com cara de confessionário que faziam as vezes de janela. “É que tem gente que prefere só olhar”, justificou.

Mais na frente fomos apresentados ao dark room. O lugar é realmente escuro. Nosso guia logo sacou uma lanterna para mostrar tudo que aquele ambiente poderia nos oferecer. “Aqui você põe o que você quiser”, disse ele em tom meio fanfarrão explicando os buracos que conectavam uma salinha do dark room à outra – os chamados glory hole. “Cada um gosta de uma coisa, né?”, completou dando risada. Nesse momento, tomamos a nossa primeira decisão da tarde: não íamos entrar no dark room de jeito nenhum.

Mais à frente, ficavam os banheiros e o cinema pornô. Foi quase constrangedor o momento em que o segurança abriu a porta do local e na tela estava em destaque uma piroca enorme mergulhando na vagina de alguma atriz que fingia orgasmo. Mas então eu lembrei que o segurança deve ver cenas assim ao vivo e a cores todos os dias e que, mais tarde, eu e o Felipe provavelmente veríamos coisas muito mais pesadas.

Felipe: O tour foi rápido, então não tinha chegado mais ninguém. Sentamos em um dos bancos encostados na parede espelhada. A disposição deles era um pouco incomum: uma sucessão de assentos era virada para uma mesma direção, até que uma mesa com dois bancos invertia o sentido. Basicamente, você ficava de costas para a pessoa que está atrás de você, olhando para o outro lado do salão, onde alguém encarava as costas de outra pessoa.

Clara: Quem chega na casa antes das 23h tem direito a uma garrafa de vinho. Um pouco de álcool não faria mal para ficarmos mais à vontade. Afinal, a gente estava em uma casa de swing fingindo ser um casal interessado em assistir gente desconhecida transando. Eu não estou acostumada nem a ser um casal, quanto mais a fazer cara de paisagem enquanto vejo gente gemendo na minha frente. Precisava relaxar.

Eu achava que os garçons seriam extremamente formais, mas fomos atendidos por um cara tão brincalhão quanto o Ronaldo. O vinho estava bem gelado e a música ambiente era basicamente os pops internacionais mais bombados do momento.

Felipe: A trilha sonora era peculiar. Apesar de famosas, as músicas não tinham nada de sexy. Eu estava esperando Lets Get It On, do Marvin Gaye, mas ao invés disso, tocavaNeed You Now, da Lady Antebellum. Quando começou When I Was Your Man, do Bruno Mars, filosofei se o trecho “Agora minha garota está dançando, mas dançando com outro homem” tinha alguma coisa a ver com swing.

Clara: Enquanto não chegava ninguém, ficamos conversando. Nossa grande preocupação era a de sermos descobertos. A gente tinha certeza de que os funcionários do local e os outros casais iam sacar logo de cara a falta de tesão entre nós dois e estranhar o fato de não estarmos beijando na boca. As pessoas nos abordariam perguntando qual é a nossa e estaríamos ferrados. Decidimos que ficar de mãos dadas seria a solução para evitarmos conflitos com o resto da galera.

17 horas

Felipe: A coisa estava super chata. Esse era, definitivamente, um dos rolês mais miados em que eu já fui. Se você quer ir ao swing durante a tarde e está esperando encontrar putaria de verdade antes que Malhação termine, um aviso: já fui a festas de 15 anos mais animadas. O lugar estava deserto, e a bebida era bem cara – um Red Bull saía por 25 reais. Cheguei a questionar se a gente realmente veria sexo ou se o ponto alto da tarde seria simplesmente a chegada de um casal que não estivesse fazendo uma matéria.

Clara: Os casais começaram a aparecer e percebemos que a gente realmente não tinha a menor noção de como as pessoas se comportam nesses lugares. Ninguém se tocava. Sentados por cantos distintos do bar, homens barrigudos ficavam no celular enquanto suas acompanhantes olhavam para o teto com cara de tacho. Exceto por um rapaz que estava sozinho e ficava nos encarando o tempo todo. Ou melhor, me encarando. O Felipe até ficou tirando onda com a minha cara: “aquele ali tá te comendo com os olhos, ó”. Eu achei foi graça.

Quando já tinham quase dez casais na casa de swing e a garrafa de vinho estava finalizada, resolvemos nos aventurar pelo corredor do sexo. Antes de procurar por casais transando, eu precisava ir ao banheiro e pedi para o Felipe ficar na porta. “Qualquer coisa, eu grito”, avisei. Estava morrendo de medo de ser abordada por alguma mulher cheia de libido enquanto eu entrava para fazer xixi. Que nada! Todas as vezes que eu entrei no banheiro – e foram umas cinco durante as quatro horas que ficamos por lá – ninguém nem falou comigo. É um banheiro tão sem graça quanto o de qualquer outro bar.

Felipe: Resolvemos entrar no cinema pornô. Ficamos uns cinco minutos vendo o vídeo de um cara penetrando uma mulher que claramente odiava o trabalho dela. De repente, um homem, que aparentava ter seus 55 anos, entrou na sala. Eu e a Clara nos abraçávamos para fingir minimamente que éramos um casal. Ele encarou a gente por alguns instantes e foi na nossa direção. Por um momento pensei que ele sentaria do nosso lado, mas não, pior. Ele sentou atrás da gente. Foram 10 segundos de puro constrangimento, até que levantamos e saímos da sala.

Clara: Já eram quase 18 horas e nada de sexo ao vivo. Estávamos superdecepcionados. Também nada de sermos abordados para fazermos nossa cena de “hoje é nossa primeira vez, queremos só conhecer o local” e aproveitarmos para – disfarçadamente – entrevistar outros casais.  Até que ouvimos o gemido de uma mulher vindo de alguma das salinhas de sexo. Pena que ela estava em uma das duas únicas que tinham as paredes sem janelas e não deu para saber se ela estava transando com homem, mulher, ou com pessoas de ambos os sexos.

Felipe: De volta ao salão, percebemos que o movimento estava um pouco maior. Alguns homens, com cara de 60 anos, eram vistos com mulheres de 35. Resolvemos sentar mais uma vez e esperar que alguém se aproximasse. Afinal, era nossa primeira vez ali, nem era tão difícil assim perceber, já que a gente tinha metade da idade do público em geral, e estávamos nitidamente constrangidos. Como ninguém se aproximou, resolvemos tomar atitude.

Falamos com o Mário*, e com a Vanessa*. Ele ficou todo empolgado quando a gente pediu para se sentar. Ela se fechou. Usamos o papo combinado. Eu e a Clara namorávamos, e estávamos tentando ter novas experiências. “É normal, na primeira vez a gente ficou super tímido também. As coisas rolam”, afirmou Mário. Comentamos da falta de movimento, e ele afirmou que a culpa era do horário. Mas por que, então, a casa abre nessa hora? “É para o pessoal que tem que voltar para casa cedo”, justificou o homem. Entre risadas e trocas de olhares, perguntaram de quem tinha sido a ideia. A Clara falou que foi minha, que ela nem estava a fim. O Mário riu, e eu me senti uma daquelas pessoas que tenta empurrar uma experiência sexual para o parceiro. Foi uma merda.

18 horas

Felipe: Resolvemos dar mais uma volta. Começou a ficar cada vez mais claro que, apesar de ninguém querer xavecar a gente no salão, as pessoas estavam nos seguindo. Conseguimos lidar com a situação até termos ideia de checar como estava o dark room. Ao chegar na porta, foi possível ver que todos se viraram esperando nossa entrada. Tentamos voltar atrás, mas uma pequena multidão de casais fechou o corredor. Ficamos encurralados. Para deixar as pessoas passarem, entramos em uma pequena cabine. Ninguém passou. Eu e a Clara nos abraçamos, para disfarçar o fato de estarmos ali na porta. Péssima ideia. Cinco casais estavam de pé esperando que a gente começasse a transar. Delicadamente, pedimos licença e saímos dali. Esse foi um dos momentos mais constrangedores da minha vida.

Clara: Recuperados do susto, voltamos para a sala onde a mulher loira estava transando em grupo. Dessa vez, a outra mulher tinha motivo para ficar calada: ela chupava o peito da loira enquanto o cara grisalho falava “ela gosta, pode continuar”. Só não entendi se ele falava com a loira ou com a morena.

Enquanto observávamos a essa cena, outras pessoas chegaram para assistir. Pelo menos foi isso que eu pensei primeiro. Até que colocaram a mão na minha bunda de um jeito bem mais carinhoso que os caras de micareta ou balada coxinha costumam fazer. Eu tirei. Colocaram de novo. Eu tirei de novo. Decidiram tocar meu ombro. Eu tirei mais uma vez. De repente, tinha uma mão na minha bunda e outra no meu ombro. “Felipe, troca de lugar comigo”, pedi desesperada, “por favor”, respondeu ele com o mesmo desespero.

Felipe: Um casal se aproximou de mim. A moça colocou a mão na minha virilha e foi deslizando para baixo. Tirei a mão dela e falei que não estava a fim. Acredito que ela não tenha levado a rejeição na esportiva, já que saiu gritando com seu acompanhante. Não demoraram nem dois minutos para que a cena se repetisse. Outra mulher apareceu e colocou a mão direto no meu pau. Peguei na mão dela, tirei dali. Colocou de novo. Peguei na mão dela, tirei dali. Colocou pela terceira vez. Eu já estava puto, quando a Clara perguntou se eu queria trocar de lugar. “Por favor!”, falei. A moça foi embora sorrindo.

Clara: Sentamos no bar de novo e, dessa vez, vieram falar com a gente. Era o cara que ficou me encarando no início da tarde. Ele aparentava ter uns 30 anos. “Minha namorada está chegando, ela é loira de olhos verdes, vocês topam algo com a gente?”, ele disse. “Não, hoje a gente veio só conhecer o lugar”, demos a nossa resposta padrão. “É minha primeira vez aqui e ela sempre quis me assistir transando com outra mulher”, ele insistiu. “Ah cara, hoje não vai rolar mesmo”, persistimos. “Ela trabalha no aeroporto, não tem hora para chegar. Vocês topam da gente começar sem ela?”, continuou. Nessa hora, eu tive certeza de que ele não estava prestando atenção no que a gente estava dizendo. Fomos enfáticos: “cara, não vai rolar mesmo, hoje a gente só quer ver como é”. O cara ficou bolado e mandou na lata, enquanto saia da mesa “olha, tá todo mundo reclamando que vocês só ficam atiçando e não fazem nada”.

Um pouco depois, o casal mais novo que a gente viu por lá apareceu no bar diretamente do corredor do sexo. Eles pareciam ter vinte e poucos anos. A menina tinha o cabelo comprido e as pernas bem torneadas, bem diferente das outras mulheres que estavam por lá. Elas eram magras demais ou estavam bem acima do peso e aparentavam ter, pelo menos, mais de 30 anos. O rapaz não era tão atraente quanto ela, mas era bem mais novo que os outros caras que estavam por lá. A maioria dos homens devia estar na faixa dos 50 ou 60 anos.

Pela diferença de idade entre homens e mulheres e o papo mais cedo com o Mário sobre algumas pessoas precisarem ir embora cedo para a casa, chegamos à conclusão de que a maioria dos caras deviam ser casados e que quase todas as acompanhantes deviam ser prostitutas. Em determinado momento, tentamos tirar uma selfie, mas fomos interrompidos por um garçom. “Imagina se no canto da foto aparece alguém pulando a cerca?”, afirmou. O velho cliché das casas de swing. Mas esse casal era exceção.

Chegamos com a mesma conversa mole de sempre e os dois foram bem receptivos. Dessa vez, a menina falava mais que o cara e foi a conversa que mais rendeu. Eles são amigos e vão juntos à casa de swing para pagar mais barato – às quartas, o casal paga 98 reais e mulheres, 49 reais, enquanto homens sozinhos pagam 410 reais. Vou chamá-los de Priscila e Fernando:

“Eu namoro, mas ela não curte essas coisas, então eu venho aqui na bandidagem”, confessou Fernando todo sorridente. “Ela é muito careta, e também não sei se ia conseguir dividir”, completou. Já Priscila é solteira e bissexual, mas diz que vai ao swing para pegar mulher. “Eu viro para os caras e falo ‘eu só quero ela, não me encosta, ok?’, e eles respeitam”, relatou. Fernando também curte mulher e seria estranho se fosse o contrário. Não sabemos no dark room, mas, como a tabela de preços adianta, o ambiente geral é completamente machista. Homens não se tocam, mas as relações entre mulheres são liberadas.

Felipe: Descobrimos que eles eram o casal que ouvimos gemer, quando as coisas começaram a esquentar. Priscila comenta que, apesar de já ter se envolvido com uma mulher naquela tarde, seu real motivo de estar ali era a stripper que ia se apresentar em poucos minutos. “Peguei ela uma vez, agora ela fica me esnobando”.

19 horas

Clara: Começa o show da stripper. Ao som de Baba Baby, da Kelly Key, ela entra vestida de colegial. Isso mesmo. “Baba Baby” foi a música escolhida para sensualizar e enlouquecer os clientes da casa de swing. E funcionou. A Priscila, pelo menos, estava enlouquecida.

Felipe: A coisa já estava bizarra o bastante, quando a dançarina começou a distribuir pirulitos para o público. Enquanto a caixa de som gritava “Você não acreditou, nem sequer olhou”, um homem realmente não via a apresentação. Ele preferia dar atenção ao celular, enquanto a stripper passava a bunda a meio palmo do rosto dele.

Clara: Depois começou a tocar Quando a Chuva Passar, da Ivete Sangalo. Imaginem a cena: uma colegial popozuda descendo até o chão ao som de uma música romântica da rainha do Axé Music. Isso para mim não é nada excitante, mas aparentemente funciona. Principalmente quando a stripper-colegial puxa uma das frequentadoras da casa para a pista de dança. Ela coloca a menina encostada em um dos pole dances, tira a camiseta da convidada, e começa a chupar carinhosamente os seios dela. Tudo isso enquanto a Ivete gritava “abra as janelas e grita eu sou o sol!”.

Felipe: Depois de mandar a participante ir embora, a dançarina começou a ir na direção da nossa mesa. Sem mexer o rosto, Fernando falou para mim, pelo canto da boca “Ela vai vir te pegar”. Comecei a virar o rosto lentamente, e respondi “nem fodendo”. Ela passou reto por mim, e puxou Fernando pela mão. Priscila reapareceu e implorou para que fosse junto. “Quarta que vem, eu pego você”, respondeu a dançarina. Nem ouvi a reposta da moça, eu estava ocupado demais agradecendo a Deus por não ter sido escolhido.

Fernando foi levado para o mesmo pole que a outra participante. Ela arrancou sua blusa. Depois sua calça. Depois sua cueca. Uma mulher se jogou no chão do palco, à procura de um ângulo melhor para ver a cena. A dançarina, que a essa altura estava só de calcinha, colocou o membro de Fernando no meio das nádegas e começou a rebolar. Metade das pessoas surtaram. A outra metade estava ocupada demais ao celular

Clara: Depois da apresentação, a situação na casa de swing é outra. No corredor do sexo, o que mais se vê é… sexo! Finalmente os clientes começam a se soltar e as salinhas ficam cheias. Ao entrarmos no corredor, a primeira coisa que vemos é agitação dentro de uma cabine. Um cara se encaixava por trás de uma menina que oferecia felatio a um membro anônimo saído do glory hole.

Felipe: Decidimos ir ao cinema. Um monte de gente estava na porta. Desviamos de algumas pessoas, mas conseguimos entrar. Não demorou muito para entender a aglomeração. No centro do recinto, duas mulheres se revezavam entre oito homens. Basicamente, cada uma cuidava de dois por vez. Reparei que uma delas era a mesma mulher que vimos transando no colo do cara, quando chegamos. Um homem, que não transava, urrava de felicidade. “Olha isso! Olha que maravilha! Ninguém está olhando para a tela. Está melhor do que no cinema!”, gritava ao sentar no encosto de uma cadeira, parecendo montar em um touro. “Cara, que loucura, você vai estragar a festa de todo mundo! Há, há, há ” berrou, enquanto um dos homens parecia tentar o sexo anal. No canto, um senhor falava o que podia ou não ser feito com uma das mulheres. “Pode levantar a saia dela. Isso.”

Clara: Diferente do que eu tinha imaginado, a galera está sempre vestida. Mesmo na hora do sexo. Rola umas levantadas de blusa, umas abaixadas de calça, mas ninguém fica completamente pelado.

Já são quase oito horas da noite e fica claro que a “festa” da tarde acabou e que agora se desenrola uma farra de verdade. O rolê agora era outro. A casa fica aberta até as 5h da manhã e até lá a tendência é que mais de 150 casais passem pelo local.

Felipe: Saímos do cinema. Para chegar à saída, tínhamos que passar por um corredor cheio de cabines. De uma delas, era possível ouvir dois homens. “Caraca, roubaram meu tênis!”, disse um deles. Alguns segundos de barulho seguiram, enquanto, aparentemente, reviravam a cabine. “Opa, amigo, desculpa! Coloquei o seu sem querer!” gritou o segundo cara. Gargalhadas eram ouvidas saindo de dentro de todas as cabines do corredor.

Via elasticam.ag

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